O iluminado

30.08.2018

Sem dúvida, entender o que é a iluminação é fundamental para fugirmos da banalização do conceito de iluminação, em que qualquer um se declara iluminado ou é declarado iluminado. Evidentemente, isso não é tão simples, pois é um processo espontâneo e interno; só aquele que viveu pode mesmo saber e, geralmente, este não se autoproclama um ser realizado.

 

É um processo que nasce do despertar da consciência, da tranquilização da mente e da liberação do apego aos desejos, incluindo o desejo por iluminar-se. Patanjali descreve o processo de algumas formas por meio dos sutras 33 ao 41 do primeiro capítulo, Samadhi Pada. Aqui, merece destaque o sutra 33 que apresenta o buscador dentro da sociedade, mantendo sua postura correta e se liberando através dela: “O assentamento de chitta se demonstra pela amizade para com o feliz, compaixão com o sofredor, alegria com o virtuoso e indiferença com o malvado”. Não limitemos os sujeitos da frase a seres humanos apenas: o sofredor, em especial, pode ser qualquer um, humano ou não.

Livre do desejo de sobressair, com a atitude humilde e silenciosa, o ser realizado demonstra no cotidiano sua postura elevada. Assim como a amorosidade ao ser firme ou carinhoso com o próximo, torna-se evidente seu estado de ser que inspira e sua presença que cura. Ele não é necessariamente um professor ou mestre, mas vive como um exemplo perfeito de ser. 

Em janeiro de 2014, o Swami Atman, professor em Rishikesh, disse em conversa: “São muitos os níveis de iluminação e as formas de iluminação. A iluminação mesmo é um processo de vida, não acontece da noite para o dia. Vamos nos iluminando dia após dia, com um novo entendimento, com a quebra de um padrão mental, com uma nova percepção e assim vamos nos elevando. E podemos retroceder também, ignorar o que já alcançamos, incorporar maus hábitos e isso também acontece com aqueles que se iluminaram com um súbito despertar.

 

Para manter a luz acesa em nós constantemente (nos mantermos iluminados), temos que alimentar o fogo todos os dias. Fazemos isso com disciplina, vivendo cada vez mais próximos de nossa verdade. Um iluminado pode achar que depois de sua mística experiência ele já chegou lá e nada mais precisa fazer, então o fogo começa a apagar e ele se perde tentando manter a posição de um iluminado perante os outros, mas já não o é. Ele abandona a Verdade por conta do prestígio e não se acha mais”.

O sanscritista Carlos Eduardo G. Barbosa comenta em sua tradução do Yoga Sutra de Patanjali que: “O samadhi é uma condição de elevação da consciência que se obtém através de uma prática continuada, persistente e somada ao desapego. Por isso, podemos dizer que ele próprio é, seguramente, um hábito mental cultivado. Na verdade, é o mais elevado de todos, que se sobrepõe e interrompe todos os demais. O yogi pode alcançar o Kaivalyam e permanecer vivo em seu corpo por muitos anos ainda. Não há qualquer incompatibilidade entre a vida corporal e a espiritualidade, desde que o corpo esteja sendo receptivo à interferência das forças espirituais. O samadhi ‘com semente’ é alcançado pela via intelectual, e vai sendo construído de forma gradual e vegetativa, como uma armadilha na qual, ao final, é aprisionado o próprio intelecto, ficando a mente livre para entregar-se a uma meditação espiritual.” 
 

 



Trecho extraído do livro "Vegan Yoga".

 

 

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