Prana Prasakti

 

 

Por um ideal de vida simples e coerente com os valores espirituais universais, eu nasci em casa, parto natural, com o apoio de uma parteira tradicional, cresci nesta mesma casa em um sítio no interior do sul de Minas Gerais, plantando árvores e comendo alimentos orgânicos plantados por nós. Incentivado a leitura e a prática de Yoga desde criança, as “tentações” que geram os muitos quereres de crianças ansiosas, nunca chamaram muito a atenção. Acredito que isso se deve justamente ao fato de termos tido espaço para o deleite de criar, contemplar, explorar as mais diversas possibilidades. Crianças na cidade em sua maioria não tem essa mesma sorte, os anos passam e a realidade das crianças terem liberdade vai se tornando progressivamente mais remota, menos espaço para se manifestarem livremente, numa vida de agenda cheia já nos primeiros anos de vida, aparelhos eletrônicos já as condicionam e viciam, o estresse cada vez mais precoce. As crianças têm sua natureza comprimida em um ambiente que não as permite expressá-la, esse ambiente seria junto a natureza. Sim, fomos muito privilegiados, empolgantes eram nossas aventuras nas matas, os acampamentos, as trilhas, a bicicleta que permitia pequenas viagens intermunicipais e boas companhias!

Com muita independência, mas sábios conselhos e valores na mesma proporção, permitia que meus irmãos e eu buscássemos nossas próprias respostas, percorrêssemos nossa jornada de forma particular, sem dogmas, sem obrigações espirituais, sem imposições, no entanto um ambiente seguro para conversarmos abertamente sobre nossas descobertas, nossa família era o porto seguro, era onde estavam os melhores amigos, era o lugar para ganhar impulso para os maiores saltos e ainda é!

O yogi Paramahansa Yogananda era nosso indicador de que estávamos caminhando no sentido mais alinhado com nossos propósitos. As aventuras e ensinamentos de Jesus, o Cristo, por meio de textos apócrifos e livros como o Caminho dos Essênios, nos inspiravam a construir nossos projetos pessoas sempre em torno da espiritualidade, tendo como maior empenho conseguir ser fiel a princípios como a Não-violência e a Verdade. Um grande desafio até hoje.

Em 2001 uma vizinha nos visitou com um livro que falava sobre quebra de padrões limitantes e ascensão espiritual. Havia nesse livro a descrição de um processo iniciático de 21 dias, sem a ingestão de comida, algo bastante radical, mas lá também expunha ensinamentos do Yogananda e falava bastante de um estágio mais profundo de nós mesmos chamado Consciência Crística, era tudo tão fascinante para nós, era tão palpável, real, que parecia que tudo o que tínhamos construído em nossas vidas nos preparara para aquele momento (sempre é assim!). Tínhamos que vivenciar aquela imersão em nós mesmos e nos conectarmos com toda aquela lucidez e clareza que esteve pacientemente nos esperando e presente, aquela consciência que nos levaria a realidade, fora das brumas do ego.

 

Minha mãe (ariana) foi a primeira a se jogar, foi forte e intenso, mas se transformou. Ganhamos uma mãe novinha em folha, era tanto brilho, tolerância, compreensão que desconstruiu aquela personagem talvez um pouco autoritária e com certeza muito estressada (seis filhos na época), ela mudou tanto para melhor que queríamos todos ficar como ela. Passados quatro meses assistindo ela naquela nova forma e plena de disposição ingerindo apenas líquidos, nós fizemos nosso retiro de maneira bastante tranquila. Testemunhá-la esse tempo nos fez de alguma forma naturalizar aquela condição, assim deixamos de enfrentar algumas barreiras mentais, como medo ou a própria crença de que sem comida naquele período ficaríamos fracos e doentes. Fiz na mesmo época que um de meus irmãos, uma de minhas irmãs e meu pai, sob a supervisão de minha mãe. Eu tinha 17 anos, meus irmãos eram mais novos que eu. Seguimos a risca todo o protocolo proposto no livro, que inclui afastamento da vida social (retiro), isolamento junto à natureza, supervisão de alguém que conhecesse o trabalho e de preferência tenha feito o mesmo processo.

 

Quando minha mãe fez a travessia dela, ela ocupou um quarto afastado da casa (era meu quarto na época) e não estávamos autorizados a vê-la durante todo o período (21 dias), apenas meu pai a visitava diariamente para saber de sua condição e se ela precisava de alguma ajuda, ele que já jejuava, já meditava e já havia vivido outras iniciações, também foi o responsável a fazer os sucos que são orientados a tomar do oitavo ao 21º dia. Na primeira semana vivencia-se o que chamamos de deserto, não tem a ingestão de líquidos, muito menos sólidos. Quando nós fizemos, ocupamos chalés do sítio, meu pai passou seu processo em seu quarto de meditação e prática de Kriya Yoga que fica no meio de um bananal e árvores afastado da casa, todos isolados, mas no mesmo sítio. Foi realmente transformador, um divisor de águas.
 

Fim do nosso retiro, meu irmão e eu saímos em uma viagem de carona e acabamos falando mais que o necessário e em pouco tempo começamos a receber pessoas curiosas para conhecer-nos e também pedindo nosso suporte para atravessar o processo. Dois anos mais tarde tivemos que criar um espaço físico para conseguir acomodar todas as pessoas que vinham com esse propósito, chamamos esse centro de Portal Parvati. Nesse mesmo ano de 2003, amigos começaram a nos convidar para contar nossa experiência com esse retiro tão peculiar, eu e meu irmão saímos dando palestras sobre esse tema e junto víamos a oportunidade de falar em solidariedade aos animais não-humanos. Era sempre o momento mais desafiador da palestra, a parte que nos deixava tensos, pois nesse momento tínhamos, da audiência, reações não tão amigáveis. Nossa motivação vinha do fato de termos nascido e crescido lacto-vegetarianos, mas principalmente porque vivíamos próximos dos animais e testemunhávamos as atrocidades a que eram submetidos.

De 2001 a 2010 estivemos bastante empenhados em testar-nos, experimentar extremos e ser um bom exemplo no quesito não comer, então mantínhamos disciplinas dentro de uma dieta líquida, também fazíamos dias de seco (sem ingerir nada). Além de estarmos muito em contato com outras pessoas que experimentavam isso em outras partes do mundo. Mas em junho de 2010 tudo mudou. Uma simples conversa nos fez ver que havia algo muito errado, nossa motivação inicial de estar conectado com o Cristus interno tinha dado lugar a uma eufórica jornada de provar aos outros do que nos tornamos capazes ou simplesmente que não estávamos mentindo, uma jornada que passava a ser uma negação de nossa natureza e de nosso estágio evolutivo. Voltamos com muito mais cuidado e simplicidade a postura de observar e agradecer o que é.

 

As pessoas continuavam vindo nos procurar, já eram quase mil processo que tínhamos acompanhado, era tanta gente linda que acabávamos conhecendo, tantas histórias, tantas experiências, muita diversidade, mais de 35 nacionalidades, entre monges budistas, daimistas, umbandistas, católicos, hare krishnas, yogins, meditadores, agnósticos, reikianos, médiuns, mochileiros, artístas, evangélicos, pastores evangélicos, terapeutas holísticos, homeopatas, médico alopatas, advogados, juízes, policiais federais, pilotos, empresários, banqueiros, climatologista, geóloga, carteiro, pedreiro, sapateiro, atletas, modelos, atores, vovô de 85 anos, vovó de 83, garotinho de 12 anos, garotinhas de 13 anos, mulheres trans, homens trans, casais dos mais variados tipos, ativistas, políticos, ex-detentos, viciados, depressivos, enfermos, aventureiros, curiosos… muita experiência. Aprendemos que todos são humanos, todos tem egos e egos no geral são iguais, talvez com algumas tendências diferentes. Os que sabem muito dão mais trabalho, são mais resistentes, sofrem mais, muitas vezes mais orgulhosos, os que não sabem tanto tendem a ouvir mais, estarem mais abertos, não se importarem com a autoimagem e vão bastante fundo no trabalho. Descobrimos que todos precisam parar, não necessariamente para realizar essa iniciação, mas se afastar um pouco de sua própria vida, fechar para balanço, voltar ao manual, e quando voltar para casa, estar mais proativo, consciente, tranquilo e amável.

De 2010 a 2018 dei muitas palestras sobre esse tema e essas descobertas que a experiência nos trouxe, uma releitura da própria iniciação que de alguma forma já tornava o livro, escrito em 1997, algo ultrapassado e talvez até perigoso, levando em consideração o foco que ele dá a conquista de poderes extrassensoriais ou sobrenaturais, que no geral envaidecem o ego e desviam nossa trajetória que deveria estar norteada na humildade, na compaixão, na disciplina espiritual simples e contínua, no contentamento e no reconhecimento da necessidade de constante lapidação e aprimoramento, também a aceitação de que não há cortes de caminho ou etapas que podem ser puladas. Um dia após o outro, orai e vigiai, enquanto estivermos aqui, estamos aqui, nunca além daqui e voltar para cá é um profundo trabalho para o ego, que rejeita, que acha isso aqui muito pouco e logo trata de diminuí-lo e encontrar razões para reclamar.

Então agora com um trabalho bastante independente, sem qualquer ligação a qualquer grupo e inteiramente baseado nas experiências e nos ensinamentos de grandes iniciados, a sensibilidade das pessoas que passavam pelo Portal Parvati foi moldando a condução do nosso trabalho e o espaço físico também, tornando-o um espaço cada vez mais focado no essencial: a introspecção, o silêncio, o contato íntimo consigo mesmo, para se chegar ao autoconhecimento, que leva à auto-cura, o entendimento para o auto-perdão, a compreensão para então perdoar, camadas muito mais profundas passaram a ser vasculhadas e purificadas e longe de ser antagônico a isso tudo, trouxe também ao trabalho mais felicidade, leveza e gratidão. É comum as pessoas terminarem o retiro e dizerem “foram os dias mais felizes de minha vida”, o mais incrível é que elas não tiveram nada daquilo que a sociedade diz que é importante para se ser feliz, nem comida. Esse processo de 21 dias batizamos Prana Prasakti, um retiro de autoconhecimento, que traz mais consciência para a vida, depois de nos fazer cientes de nossos padrões, de nossos personagens e nos oferecer condições de reconhecê-los com distanciamento. Um trabalho que desenvolve nossa qualidade de presença.

 

Eu já vinha me desconstruindo, inclusive minha espiritualidade, tornando-me mais devoto da simplicidade, da Verdade, me empenhando mais a praticar aquilo que agora conhecia, um processo bonito e com todos os desafios de quem está aqui encarnado, um empenho maior em deixar de negligenciar minha voz em apoio à todas as lutas que existem, daqueles que são oprimidos, por descobrir minha condição privilegiada como personagem social e político, mas também dentro do cenário especista, que me levou em 2005 à adoção da postura vegana. E nessa jornada fui vendo os mais variados processos que também levam à libertação, no sentido de mostrar a verdade, e não uma emancipação que transcenda nossa condição humana. É claro que nunca lidei com o Prana Prasakti como sendo a melhor iniciação do mundo e que todos teriam que vivê-la para despertar, não, nunca vimos assim, era algo que para minha trajetória pessoal e de minha família tinha feito uma grande reforma íntima e que pude assistir outras pessoas vivendo o mesmo. O curso Vipassana é para mim um bom exemplo de um outro retiro com potencial transformador grandioso, que também deu a minha vida outra perspectiva.

Depois de 17 anos de minha experiência com o retiro de 21 dias, com mais de mil palestras dadas, retiros em outros países, congressos, acompanhamento de mais de mil processos, muito estudo, muita teoria, observações e feedbacks, resolvi em setembro de 2018 realizar meu segundo retiro, o Prana Prasakti na prática. Agora com tudo que eu sabia, com toda experiência de minha família e com uma egrégora bem consolidada no Portal Parvati.

Minha vida estava atribulada, muito conectado ao virtual, todos os dias, todo final de semana viajando para dar palestras e retiros, durante a semana tinha o trabalho com a produção do documentário Muco, as funções da casa, do sítio e eventualmente do Portal Parvati. Então tirar 21 dias era bastante radical, parecia ser outra dimensão.

Li uma vez uma reportagem de uma jornalista que tinha feito o curso de 10 dias de meditação Vipassana, ela contava sobre os desafios, mas enaltecia principalmente a vitória que era estar ali e ter para ela 10 dias. E me dei conta de que realmente é um desafio conseguir em nossas vidas tirar alguns dias para nós, quem é que consegue parar por 10 dias? É preciso muita força de vontade, organização, estratégias, determinação e possivelmente também dinheiro. A maioria pensa na possibilidade de parar se não for para férias, e que tenham muitos estímulos, pois estamos viciados no estresse, viciados em colocar a culpa das desgraças de nossa vida no outro, não queremos assumir essa responsabilidade, viciados no celular, apegados ao nosso machismo, ao nosso racismo e preconceitos variados, viciados em ter a mente ocupada e ter um monte de problemas para resolver, então, para parar por 10 dias é preciso coragem, porque como viciados sabemos que o vício é ruim, mas gostamos. Então não priorizamos criar uma oportunidade como essa. Por isso, vez ou outra vamos a um satsang para ficar em dia com Deus, duas vezes por semana tem aula de yoga para ficar um pouco zen e ajustado com a saúde, mas sexta tem barzinho, no final de semana tem churrasco e a vida segue.

 

Me desfiz de todas desculpas para não realizá-lo e depois de quase duas décadas me dei a oportunidade de parar por 21 dias.

Meu diário do retiro tinham apenas algumas anotações, reflexões e pensamentos (estão identificados entre aspas), mas que de alguma forma tem muita relação com a vivência diária do Prana Prasakti. Então, compartilho aqui com todos um pouco dessa experiência, mas sem fornecer todas as diretrizes, evitando que aventureiros se joguem sem os cuidados necessários, tornando a experiência muito perigosa.

“Depois de 17 anos, mergulho outra vez no que foi a mais radical e reveladora experiência de minha vida. 21 dias só para mim, sem conversar, sem comer, sem elementos eletrônicos, isolado e trabalhando, não é férias, não, 21 dias de trabalho intenso, só comigo, só me escutando e me observando. Agora o mais importante, 21 dias feliz, interagindo com o mais belo em mim e dissolvendo essa distancia, para conseguir estabelecer-me ainda mais no Eu. Tudo isso gozando de plena saúde, lucidez e no lugar que eu queria estar.
O que tenho pela frente como estrutura básica é: uma semana sem ingerir nada, uma segunda semana ingerindo um mínimo de 1,5 de líquidos (água e suco diluído em concentração específica) e a última semana ainda ingerindo líquidos (água e sucos mais concentrado) e com exercícios físicos gradativos. A primeira semana é a do corpo físico, a segunda do corpo emocional e a terceira do corpo mental.”

(ESSAS INFORMAÇÕES NÃO TE DÃO BASE PARA REALIZAR O PRANA PRASAKTI - Há uma série de instruções e tarefas que são imprescindíveis para segurança e êxito do trabalho, além é claro de que não é recomendável que se faça em casa* e sem assistência** de uma pessoa capacitada, mesmo que seu ego diga que não faze-lo em casa é um detalhe insignificante e que você está preparado e que não precisa de ninguém para assisti-lo.)

* Evitar o máximo de distrações, nosso ego tem mais controle em lugares que ele já controla, torna-se mais difícil desvencilhar-se dessa força do personagem em ambientes emocionalmente conhecidos. Por isso retiro. É importante que não tenha contato com aparelhos eletrônicos (televisão, computador, celular), é fundamental que se afaste de suas funções cotidianas. É extremamente nocivo realizá-lo em ambiente urbano, é parte da iniciação estar junto a natureza, pelo som, pelas cores, pelo ar, pelo prana. Se não pode dedicar-se exclusivamente a isso por 21 dias, então não faça.

** O retiro é intenso, forte, às vezes o ego ganha mais força e você precisa ser ouvido para aliviar a pressão interna. Pode o ego te convencer a abandonar sem qualquer motivo relevante, novamente uma consulta com quem está de fora pode te colocar outra vez no seu propósito. Às vezes o ego espiritual está tão obstinado a realizar o Prana Prasakti que não aceita que está apresentando debilidades em proporção que deva ser interrompido, novamente ter alguém que avalie de fora torna mais seguro. Pensando em um caso extremo, caso aconteça algum acidente ou um evento adverso não esperado, é vital que tenha alguém para lhe socorrer. Há casos no mundo onde o iniciante veio a óbito, em quase todos ele foi encontrado sozinho.


1ª SEMANA

Essa primeira semana é a semana de lidar com o ego em sua forma mais densa, a identificação com o personagem, que envolve a imagem, a forma, o corpo, por isso desafiamos esse pequeno eu que nos domina reduzindo-lhe a interação com estímulos externos, reconhecendo o apego aos sentidos que nos levam ao prazer, que buscamos incessantemente. Então é uma semana que ficamos mais recolhidos.

1º dia - Desacelerar
“Observando observar”
Entrar em contato com o silêncio assusta o ego, ele precisa marcar sua presença, ele precisa da aprovação dos outros, como fazer isso sem a fala, sem mostrar tudo que sabe, que já fez, que conquistou, seus desafios, como fazer as pessoas darem atenção a você se você não pode mostrar o quão interessante você é? Por outro lado, começamos a ouvir um diálogo frenético e como no nosso silêncio somos barulhentos. Nosso desafio gira em torno disso, de lidar com a ansiedade e a agitação que temos no cotidiano, agora assistida em um contexto silencioso e calmo.


2º dia - Abandonar as expectativas

“A teoria é um esconderijo fácil”
Um dia em que você cai na real do que está fazendo, às vezes dá um frio na barriga, o ego olha para o futuro e diz “ainda faltam 19 dias para isso acabar”. Em compensação, para muitas pessoas essa conformidade permite uma Paz muito grande. Desde o primeiro dia todo o trabalho é manter-se presente e observar para não alimentar ideias que não correspondam com o que está sentindo no momento presente, por exemplo sede, se está bem, não é interessante esperar que fique mal, pois isso pode vir a se realizar.

 



3º dia - Como assim ainda estou bem?

“O estresse não é pela ocupação, é pela preocupação”
Você se dá conta que mesmo depois de três dias sem nada, você está bem, que estranho isso! Talvez uma sensação de o corpo estar murchando, mas ainda cheio de energia. Dia de chegada, quando você já se sente parte do lugar (o ego já estabeleceu algum controle, se nutriu dos estímulos das novidades), agora começa o apelo do ego por novas experiências, aquela ele “já conhece”, já tá ficando chato. Hora de sair do ego e entrar de mãos dadas com ele no presente.



4º dia - Reconhecer o personagem
“O corpo é um laboratório alquímico”
Você talvez se surpreenda com a quantidade de xixis e quase transparentes, talvez experimente ter mais energia que nos outros dias. Que loucura!
Mas isso é um desafio grande, pois o ego quer sair correndo, quer se exercitar, quer explorar, mas a ordem é quietude, repouso, então obrigatoriamente deve conviver com ele muito agitado dentro, às vezes dando chilique e te pedindo para ir embora dali. Mais uma super oportunidade para assumir o observador e perceber tudo que está acontecendo com mínimo envolvimento, máximo distanciamento, sem interferir, só observar, esse é você no dia a dia. Bem-vindo ao mundo de reconhecer-se, logo vamos ficar sabendo porque agimos assim, mas ainda é cedo, vamos só reconhecer como agimos quando alguma coisa priva nosso personagem, ver como reagimos, se nosso padrão é reclamar, se vitimizar, chamar a atenção, ficar mal humorado… não é nada novo, apenas o ambiente nos incita a manifestar o que somos normalmente.


5º dia - Persistir para não se identificar
“A virtuosa queda do carvalho”

Talvez se sinta mais lento, meio apático externamente, mas muito mais luz, cor, brilho, suavidade, sensibilidade… dentro! Esse dia pode ser como o anterior, o sono pode ter diminuído. Tudo tem uma sensação nova, mas a mente pode continuar com suas estratégias ou ela deu espaço e você se percebe bem mais contemplativo, expansivo, como se houvesse mais espaço no seu corpo, talvez menos condensado. Uma sensação de leveza, mesmo lento! Chamamos o 4º e o 5º dia de “os dias de reconhecer seu ego”.

6º dia - Sem brigar com nada


 “A leseira é uma macieira carregada. 

Ela não dança mais no vento, seus ramos não traduzem sua majestade. Ela apresenta-se pesada, como que com um fardo, sua beleza arrasta-se no chão; Mas só ela sabe a doçura dos sorrisos que seus frutos propiciarão.”

O contentamento pleno, sem ansiedade, vivendo a entrega a esse momento, derretido com o sorriso nos lábios, como numa sombra de um árvore frondosa no meio do deserto. Agora nada me perturba, aqui não tem nada que me ofenda. Talvez meu coração se abra timidamente para espiar o que tanto eu admiro, talvez choremos juntos com tanta beleza!



7º dia - Aproveitar o máximo dessa outra dimensão
“A noite é uma criança levada.
Mas quem permanece desperto ainda testemunha a despedida da estrela matutina, mesmo tendo negado as outras bilhões no curso da noite.”
Talvez a ansiedade venha lhe fazer companhia, pois é o dia de beber água ou talvez ela finalmente te deixe, pois sabe que nesse dia vai beber água. Depende de como a pessoa foi manejando sua própria cabeça. É muito comum não dormir muito nas últimas três noite ou não dormir nada. Então se conduziu seus dias com gratidão e auto-observação, essa pessoa deve ter vivido uma experiência muito linda, muito agradável, com desafios na medida certa e muito aprendizado.

Tem duas formas de atravessar o deserto, no sofrimento ou na felicidade, optando pelo sofrimento demanda menos trabalho, basta reproduzir os padrões habituais, entrar na ansiedade de transpor logo o deserto, negar o que se apresenta nesse momento; optando pela felicidade você tem muito trabalho, precisa estar atento o tempo todo, manter-se presente, realizar com afinco as tarefas, em compensação a travessia acontece com desfrute, não há negação do deserto, é como se quiséssemos aproveitar o máximo do que ele pode nos revelar, sem ansiedade para que termine, mas é bom saber que não serão 40 dias! Se você opta pelo sofrimento a falta de água vai se fazer presente, vai fazer barulho, ao seu primeiro sinal, a mente dirá “Meu Deus, ainda faltam seis dias” e terá em sua companhia uma sede de seis dias, já imaginou? É muita sede. Mas se optar pelo caminho da felicidade só terá a sede de hoje, ela é pequenina, administrável e na maior parte do tempo ela nem está ali, mas para isso precisa treinar o observador, praticar a presença e estar inteiro no que estiver fazendo

- Algumas horas antes de tomar água estive tão presente, desfrutando ao máximo aquelas sensações, tão raras, com um pequeno aperto por saber que ao beber água toda aquela sutileza, brilho e delicadeza que ainda não encontrei as palavras para descrever, se dissipariam. Mas ao mesmo tempo meu ego expressava baixinho sua alegria por esse momento chegar.
Ao final desse dia tomamos um pouquinho de água, e como ela trás conforto. O sono é recuperado com apenas um copo e meio de água.
Até este dia é normal estarmos despertos antes do sol nascer:
“Olhei para o céu e não vi cores, vi poesia.
Se a aurora anunciasse no crepúsculo a grandeza de sua beleza, certamente na manhã seguinte sua audiência não seriam só passarinhos.”


2ª SEMANA

 Água é emoção. É a semana de mexer com nossas águas, as má águas - mágoas, as boas recordações, as situações de trauma, as relações familiares, o pai, a mãe, companheira ou companheiro, filha, filho… quando levamos a vida na superfície, correndo atrás de alguns prazeres, reprimindo sentimentos, no automatismo, sendo pensado pelo inconsciente coletivo e reproduzindo suas crenças sem se aprofundar em si mesmo, sem saber o que é seu genuinamente. É como um pote de vidro com água barrenta, depois de alguns anos na superfície parece estar tudo bem, pois o barro decantou, está tudo lá, nas profundezas de si mesmo. Nessa semana, vamos agitar esse pote e olhar nos olhos de nossas sombras e sujeiras que foram jogadas para debaixo do tapete. Semana que permite a água voltar a fluir e de forma límpida.
Semana de muitas tarefas.

1º dia - De volta ao mundo
“A água serena se entrega, os tecidos sedentos e ávidos de sua presença, absorvem sua vitalidade e fluidez. A água não se gaba de sua tão essencial função, ela se alegra por estar, sem esforço, realizando sua função. Conscience de que ela continua sendo.”
Dia de reidratação, tudo mais lento, porém agora é pesado, com sono, quase embriaguês. É comum dormir muito, ter sonhos vívidos e as emoções a flor da pele. O exercício é grande, estar presente, mesmo que haja forte impulso para ficar no passado, nas lembranças.
Sentir os sabores dos sucos é algo que ainda não encontrei palavras.

2º dia - Prazeres com presença

 “A vida é uma fruta, ela é doce, porém há de saber as partes comestíveis e seu melhor momento. Passado é verde, futuro é podre, desfrute da vida como quem toma um suco de melancia.”
As pessoas e circunstâncias do passado costumam visitar com cada vez mais frequência, mais trabalho. Contudo, depois da primeira semana é mais fácil acessar o presente, que ameniza qualquer dor de trabalhar com traumas, pois tomamos distância do personagem que sofreu, cuidamos sem envolvimento. E isso nos traz grande alívio e liberdade!
“Observei, bem honestamente, conclui que hoje eu estive pleno. Sentia que podia correr (pratiquei uma série de Jivamukti Yoga, de forma tranquila e sem me exceder), nenhum sinal de fraqueza, fome, sede, tristeza, desprazer, mágoa, nada, estava tudo perfeito! Ah, e também parecia que “aquele" do documentário, das agendas, dos e-mails, dos projetos… era outra pessoa. Muito feliz e agradecido!”

3º dia - Estar muito bem pode gerar dispersão
“Manter-se no presente é como transportar óleo em uma colher.

 Sim, se não tem atenção já era, se o passo for mais forte ou esbarrar em alguma coisa, já viu! Tem que ter a mão firme, mas suave, ela tem que absorver os impactos dos passos, acompanhar (estar livre) ao movimento do corpo. Derramei várias vezes. Só o futuro me encontra, por mais que eu tente me esconder dele.”
Tanto mais confortável, mais fácil de convencer-se de que não precisa mais trabalhar, de que pode deixar a mente divagar, só um pouquinho, e é só o que o ego precisa! Voltar sempre ao trabalho não elimina o bem estar, pelo contrário te leva para um prazer distinto que pouco conseguimos alcançar no cotidiano, mas o ego prefere o sabor que ele conhece, aquele em que ele está no poder.
“Ontem estava tão bem, mas tão bem, que fiquei eufórico e a presença se foi um pouco. Mas estive assistindo isso. Hoje me maravilhei com as leituras, mas sempre me perguntando: “Você está aqui? Está lendo?” É claro que no momento daquelas perguntas, várias vezes eu era flagrado em devaneios.”

4º dia - A metade do Prana Prasakti
“A construção das atitudes efetivas, começa com raízes bem profundas, que são a vontade, a diligência, os princípios, a retidão e disciplina. O tronco forte e flexível, o discernimento. Ramos vívidos, conhecimento e compaixão. Folhas verdejantes ou flores, sorriso, gentileza, serenidade, mansidão e tolerância. O fruto certamente será doce e nutritivo.”
As emoções falam muito através dos músculos, mas pode sinalizar no corpo todo, se o trabalho está bem administrado segue sempre tranquilo. Se você começa se envolver com histórias mais difíceis pode ter baixa de energia. Pode parecer viagem, mas estudamos isso com muitas pessoas, aquelas que entravam em contato com dores profundas e se identificavam com o personagem afetado, tinham respostas físicas, quando começavam a reclamar, a se entregar a tristeza, a reviver um conflito, o corpo adoecia, aquelas que no meio do processo retomavam conscientemente o distanciamento e seguiam com as tarefas, o corpo refletia vitalidade e força.

5º dia - Alimentação muito leve, mente muito dispersa

“O Arquiteto nos faz mestres de obra e obreiros. Executar o Projeto exige que conheçamos, ainda que não profundamente, Sua infinita Graça.
Ação e Meditação.
Pedras que não se encaixam, resultam muros que não param em pé.”
É possível que nos sintamos mais aéreos, difícil de focar, dia de trabalhar, colocar esforço para manter-se vigilante.
Com certa habilidade em trabalhar com as pessoas que surgem na mente, nosso observador ganha mais poder, mais força, o ego segue investindo, mas agora sem tanto barulho. Mas às vezes silenciosamente ele nos levou longe, começamos a checar se o observador está operando. “Eu estou aqui?”


6º dia - Maré mansa, menos tumultos emocionais
“Sanidade, sobriedade, integridade, Presença, autocontrole, mestria, retidão, clareza e contentamento.
Fechar os olhos e despertar, abri-los e sustentar.”
É comum que nesses últimos dias o sono fique menor, voltando a acordar bem cedo, não como na primeira semana que às vezes ele nem existia. Então há bastante tempo para trabalhar, se observar, agradecer, perdoar, pedir perdão e colocar Amor em cada pensamento.
É como estar com a água límpida, um amor muito grande flui através de nós, estamos de bem com o mundo!

7º dia - Ser anjo

“As sementes caem, contudo erguem-se árvores.
Compreender é Amar.
Resiliência sozinho, sustentação conjunta.
O passado veio ao presente dizer adeus.”
Dia de estar disponível para os insights, as percepções mais sutis, dia de silêncio absoluto, não apenas o verbal, mas o silêncio dos passos ou da manipulação de qualquer objeto. Um dia para estar exercitando com afinco a atenção plena. De forma que se há relações ainda a serem curadas isso venha com clareza. O silêncio é a chave para o Universo interno. No silêncio escutamos os anjos ou a voz de quem realmente somos!
Fechando assim a segunda semana.



3ª SEMANA

 A mente é o grande desafio do ser humano. Todos os nossos problemas estão na mente, mas também podemos resolver muitos problemas através dela. Tornar a mente nosso instrumento, não ser dominado pelo ego através dela. Então essa é a semana mais importante do Prana Prasakti, é a semana que mudará nossa vida, é a semana de estar realmente exercitando o contentamento e sustentando a Presença, é o que de fato levamos do retiro. E isso realmente muda nossas vidas. Trás mais consciência e com consciência erramos menos, fazemos escolhas melhores, nos identificamos menos com os processos que antes geravam sofrimento, nos tornamos menos reativos, mais felizes! 
Se na primeira semana tínhamos a falta de água para nos lembrar de observar e nos manter no presente, na segunda semana também tínhamos as pessoas aparecendo espontaneamente com suas ondas emocionais que também nos davam esse alerta, mas na terceira semana, não tem dispositivos que te lembrem de voltar para o presente, isso é operado única e exclusivamente pela sua vontade, dedicação e empenho. Acontece que na terceira semana já estamos em ótimo estado físico, já voltamos a movimentar o corpo, praticas de Yoga mais fortes é permitido, o suco fica mais gostoso, ele é mais concentrado (numa porcentagem específica), então sem os desafios parece o que trabalho já acabou e agora só resta esperar para ir embora, mas esperar gera ansiedade e isso é não aceitação do momento presente, é a tentativa de controlar o futuro, gera sofrimento, por outro lado, com todos esses prazeres oferecidos ao ego, ele se torna mais forte, quase tanto quanto é normalmente e por estarmos bem fisicamente e emocionalmente, ele investe em assumir o trono novamente. Porém, por estarmos limpos e sem influências densas no intestino, o ego opera de uma forma muito bonita, com planos altruísticos, com projetos que resolverá problemas de sua vida e até do planeta, quero dizer, ele vai investir em algo que realmente valha a pena você gastar o seu tempo. Contudo, é futuro, ilusão, é o ego operando para te tirar do presente, então, a terceira semana pode ser a mais desafiadora, pois tudo te leva a não realizar o que ela pede - esteja presente.
Quando nessa semana, você vence o tédio com sua contemplação e auto-percepção, quando se propõe a manter-se o máximo no presente, cortando os projetos no momento que se flagrar neles e voltando ao presente todas as vezes que se encontrar fora dele, você pode experienciar estados de conexão tão profundos e lindos, com tanta presença, tanta harmonia que naturalmente manifestar-se-a gratidão. Semana de tatuar a Presença e retocá-la também!

1º dia - Percebendo o corpo
“Jesus não compartiu o croissant, foi o pão”. 

Depois de um dia de muito cuidado com o silêncio, temos a mente bem focada e podemos perceber ainda traços emocionais, mas também como já começamos a ir ‘lá pra fora’, o que faremos depois ou até uma contagem regressiva. E é nesse dia que vamos começar a exercitar o corpo, de forma bem leve para percebermos como ele reage, geralmente muito bem, mas pode surgir pequenos dores musculares, mesmo com apenas uma caminhada (no Portal Parvati essa caminhada é na mata).

Notamos a respiração mais ofegante, por outro lado o suco está mais forte, então maior o exercício de sentir o gosto na boca, sem engolir avidamente. Um dia de muitos prazeres e novos estímulos, visuais, físicos, mentais (o metabolismo estimulado promove mais agitação nos pensamentos) e gustativos! O ego já quer criar cardápios de sucos depois que ele se dá conta do quão bom é, mas a ordem é usufruir do que se tem nesse momento. Ficar aqui,
“Quando juramos ‘para sempre’, é que desejamos garantir que no futuro sejamos fiéis ao eu de agora.”

“Pretendemos garantir que a ordem acordada pelo eu de hoje se valha para todo o sempre, que em todo presente dos tempos vindouros permaneça ecoando a mandamento. Esse ainda limitado, pobre de compreensão, com medo de que ventos de outras direções soprem, previne-se como um ditador embotado no seu poder egóico desejando controlar os incontáveis eus que ainda nascerão em novos alvoreceres. Apegado as glórias de hoje, reforça os muros da penitência e culpa, perpetuando seu próprio cativeiro. Permitamos que a aurora do amanhã trata um eu livre.”

2º dia - Calibrar o observador
“Às vezes queremos que os outros olhem para o que estamos sentindo.”
O corpo emocional ainda pode manter forte sua marca, ele pode ser a catapulta para te arremessar para o futuro ‘tenho que contar isso a ela’, ‘nossa ele vai pirar quando souber disso’ ou ‘será que me receberá bem do jeito que estou?’, ‘será que conseguirei manter esse estado lá fora?’, ‘será que vão me entender?’, ‘Preciso mudar tudo na minha vida, como começo?’… sim, ego controlando, querendo te manter no futuro.
 
3º dia - Voltar pra cá

 

“Quando você pratica algo determinado pela consciência, todos os dias você é alguém diferente.”
Nascemos todos os dias, se ficarmos só reproduzindo o que vivemos ontem ou se inventando em um outro contexto além desse que te cerca agora, será sempre o mesmo desafio, o mesmo resultado, as mesmas perspectivas, pois não se permitiu ser diferente de verdade, a ponto de criar uma realidade inusitada, de pensar e até planejar algo completamente novo. Isso só pode acontecer se dermos abertura para sermos diferentes, na forma de interagir com esse momento, daí nascem outras compreensões, outras respostas. Que tenhamos o domínio de perceber o mundo com os olhos de hoje, que possamos interagir com ele conforme a leitura de hoje, que nos abramos a sermos o que somos hoje. Então se ontem o dia foi desafiador, que as ferramentas sejam usadas de uma outra forma, se ontem criei um projeto magnífico para o futuro, hoje eu não darei continuidade a ele. Desenhe a si mesmo com outros traços, outras cores. Seja autenticamente esse que nasceu hoje. 

4º dia - Estar aqui

 “Não basta fechar as portas do verbo para que o silêncio se faça, há de sair do aposento, pois as paredes têm ouvidos e falam. Ao tomarmos distância notamos isso.”

Muita energia, disposição, alegria e uma serenidade distinta, uma que nos faz nos perdermos no tempo admirando uma formiguinha carregando uma folha enorme, uma paciência que não é de quem está esperando alguma coisa, é de estar em Paz e o marimbondo vai construindo sua casinha, desaparece e depois de um tempo volta com uma bolinha de barro, molda aquele pouquinho de barro na forma de parede e vai de novo buscar mais, a mosquinha gruda na teia e passa um tempo vem a aranha envolvê-la, é um estado de contemplação tão gracioso, atentar-se aos milhares de fenômenos que estão acontecendo agora e que não depende de você, quase que em outra dimensão, é como se congelasse tudo, parasse o tempo, mas então você começa a perceber que o cenário se move, que existe um mundo que não está existindo no ego humano, não tem essas preocupações, esses conflitos. O agora é a dimensão do não tempo, onde tudo acontece de verdade, não são projeções, nem aflições passadas. É a dimensão do que somos e somos felicidade.

5º dia - Ficar aqui

“Sorria, você está sendo assistido pela sua consciência e pelos anjos. A todo momento.”
O conflito de negar o presente é originado no medo de constar que nele pode não haver conflito, isso coloca em cheque todos os meus saberes e habilidades de lidar com conflitos. Minha identidade praticamente perde o valor. Quando abrimos mão dessa necessidade de reafirmação do personagem, experimentamos um prazer que não excita, que é calmo, que é grande e que satisfaz, mas não se experimenta pelas vias que nutrem o ego. O ego não quer ficar de fora, então se ele não pode experienciar ele te tira da experiência. Então nutra sua vontade de se trazer de volta sempre que ele te levar para aquele lugar que para ele tem prazer, quando não está tendo através dos sentidos, ou seja, no futuro maravilhoso que ele está criando.

6º dia - Não falta só amanhã para acabar
“A vaidade é uma pedrinha de cascalho que quer ser diamante, comporta-se como se fosse e exige que os outros lhe tratem como sendo.”
Na meditação da manhã fui invadido por um pensamento "faltam apenas dois dias, aproveite com todo coração e alma, esteja o máximo aqui, lá fora é muito mais difícil voltar para cá". Comecei o meu dia atento a forma que meus pés tocam o chão, como o ar entra em meu corpo, como sai, como me sento, em que situações coço o queixo, qual a sensação que me leva a cruzar as pernas, quais as sensações que a gratidão gera no corpo, a sensação do efeito do sorriso, o que e estado de Paz faz com todo o meu ser. Bem presente o dia todo. 
A manutenção é constante, será necessário disciplina, o bom trabalho hoje é o que renderá frutos no pós-Prana Prasakti. Você tem um dia inteiro de muito trabalho, de muito desfrute, de muita verdade, amanhã nem existe.

7º dia - Ainda inteiro no trabalho

“Quando falta o observador, a mente está identificada com o personagem, esse sustenta-se nas percepções sensoriais, que acentua a crença no plano relativo. Onde há ganho e perda. A mente nesse estado está sujeita à reatividade. A reação é resultado da identificação de ameaça a um valor adquirido/conservado para trazer segurança ou conforto. Defende a zona de conforto.”
- Agora eu já entendi tudo e consegui chegar ao último dia! - Não, o Prana Prasakti não é de 19 ou 20 dias, ele é um retiro de 21 dias, hoje tem muito agora para viver, tem muito o que agradecer, tem ainda um observador que precisa ser nutrido. Fichas podem cair e talvez aquela que mude sua vida para sempre. Esteja disponível e envolvido com suas tarefas!
Eu pintei minha mandala diária, caminhei no labirinto, fiz a trilha duas vezes, fiz minha prática de yoga, participei da oração, tomei os sucos com atenção plena, terminei a leitura que faltava, apenas algumas páginas, observei muito a respiração, voltei do futuro várias vezes e antes de me deitar fiz oleação nos pés pela 21ª vez e dormi. 


Mais sereno, mais sensível, mais atento, mais leve (7kg a menos), mais fortalecido, mais presente; 
Terminei tão Feliz, tão agradecido!

É comum as pessoas relatarem no pós Prana Prasakti que as intenções ganham uma força enorme e que há muitas sincronicidades, o que necessitam acaba indo de encontro a elas. Gostamos de dizer que entramos na “faixa vibratória dos milagres”, um campo meio “mágico" onde tudo parece ser mais fluido e fácil para ser realizado, pois sim, é importante que com tudo isso nossa missão esteja em curso, nosso Dharma!
Dizemos que esse estado é parte de um circuito de sustentação que se inicia pela nutrição do observador, através da disciplina diária, da meditação, também pelo cuidado do que se coloca na boca, alimentos que trazem sofrimento baixam a vibração e a vitalidade, tiram a energia para manter o observador (tudo o que é colocado no corpo que seja contrário ao nosso design fisiológico gera problema para o organismo, assim este ocupa grande energia para resolvê-lo e voltar a homeostase, fomos desenhados para digerir frutas, raízes, castanhas, verduras e podemos incluir grãos, como os grandes primatas somos frugívoros), então observada a alimentação e desenvolvido o treinamento do observador, podemos experimentar o tal circuito - Quando observamos entramos no momento presente, no presente saímos da ação do ego (futuro/passado), no presente somos consciência, a consciência não se opõe ao que se manifesta no momento presente, se há incômodo ela trabalha com o discernimento “se posso mudar, mudo, se não posso mudar, aceito” logo no momento presente não há conflito, sem conflito reconheço que tudo é, e isso é perfeito, se no momento presente tudo está perfeito, posso manifestar o que sou - Felicidade - (de acordo com a tradição do Yoga nossa essência é Satchitanada - verdade, consciência e bem-aventurança ou felicidade), quando estamos felizes nossa vibração se eleva, e quando a vibração se eleva temos mais energia para observar; Quando observamos entramos no presente, quando estamos no presente somos consciência, quando somos consciência reconhecemos a realidade como perfeita, quando a realidade é perfeita podemos ser felizes, quando somos felizes nossa vibração se eleva e quando ela se eleva ela gera energia para o observador… tanto mais nutrimos esse circuito mais alta vai se tornando nossa vibração, até irmos nos conectando com faixas vibratórias mais elevadas e podemos começar a vivenciar a “faixa vibratória dos milagres”.

Pronto para seguir a vida, tudo ajustadinho, revisado, reparado e abastecido!
Sinto reverberando até hoje, me visitam aquelas sensações quando medito, quando lavo a louça, quando caminho, quando dirijo, elas se apresentam sempre que estou presente, é tão bom!
De todas coisas boas que o Prana Prasakti nos oferece, uma é até desafiadora, saímos com um alarme que aciona sempre que infringimos algo que acreditamos, saímos mais conscientes e talvez mais fortalecidos para sermos fieis aos nossos princípios.

___________________________

O Portal Parvati fica no sul de Minas Gerais, na zona rural, junto a uma floresta. Atualmente uma equipe de cinco facilitadoras, mais três colaboradores para o jardim e limpeza, é dirigido por minha mãe Elcy, com orações diárias conduzidas por minha irmã Nirvana. O Prana Prasakti ocorre durante todo ano, exceto o mês de julho e nos períodos dos retiros 'Estabelecer-se no Eu' e 'Consciência de si’, que são “preparatórios” para o Prana Prasakti, são retiros de quatro e de sete dias, de silêncio e sucos.
Para reserva do Prana Prasakti é preciso que os interessados escrevam para portalparvati@gmail.com

Sugerimos que leia também ao texto "Sobre comida, luz e ego" neste blog







 


 

 

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